O que são as diretivas ATEX e o sistema IECEx e qual é a sua importância para a segurança da indústria?

O que são as diretivas ATEX e o sistema IECEx e qual é a sua importância para a segurança da indústria?

Descubra a importância das diretivas ATEX e do sistema IECEx para a segurança em áreas classificadas.
diretivas

Você já se perguntou como as indústrias químicas e de óleo e gás se mantêm seguras contra explosões?

A resposta está diretamente relacionada às  diretivas ATEX e ao sistema IECEx.

Neste blog, vamos apresentar esses dois sistemas de regulamentação e explicar como eles são cruciais para evitar acidentes em indústrias onde existem atmosferas potencialmente explosivas.

Continue lendo para descobrir como essas diretrizes não apenas salvam vidas, mas também asseguram a continuidade das operações em ambientes de risco.

Entendendo as diretivas ATEX

Origem e aplicação

ATEX é um acrônimo da expressão francesa “ATmosphères EXplosibles”, que significa atmósferas explosivas. ATEX não se refere a uma norma específica, mas sim a um conjunto de diretivas criadas pela União Europeia (UE).

O objetivo principal dessas diretivas é harmonizar as regulamentações de segurança e certificação relacionadas a atmosferas explosivas dentro da União Europeia, prevenindo a ocorrência de explosões e protegendo tanto os trabalhadores quanto os equipamentos envolvidos.

A primeira versão da ATEX foi criada em 1994, com a diretiva ATEX 95 (94/9/EC).

As diretivas que compõem a ATEX definem os requisitos essenciais de segurança do trabalho em ambientes explosivos e padronizam os procedimentos de certificação que devem ser seguidos por equipamentos utilizados nesses ambientes.

Fabricantes que desejam vender seus equipamentos para uso em atmosferas explosivas em países membros da União Europeia devem submeter seus produtos à certificação de acordo com as diretivas ATEX.

Após a certificação, o equipamento recebe uma marcação que indica seu nível de proteção e determina em quais ambientes ele pode ser utilizado com segurança.

As diretivas ATEX atuais são as seguintes:

ATEX 114 (2014/34/EU)

Substituiu a diretiva ATEX 95 em 2016 e abrange os equipamentos e sistemas de proteção destinados ao uso em atmosferas explosivas.

Ela descreve os requisitos para que os fabricantes garantam que seus produtos são seguros e cumprem os requisitos essenciais de saúde e segurança antes de serem colocados no mercado.

ATEX 153 (1999/92/EC)

Foca na garantia da segurança e da saúde dos trabalhadores potencialmente expostos a atmosferas explosivas.

Ela especifica como as indústrias devem dividir seus processos em diferentes zonas de risco e estipula procedimentos específicos para o trabalho dentro de cada zona, garantindo a segurança no local de trabalho.

Classificações e marcações das diretivas ATEX

As diretivas ATEX definem uma série de especificações para classificar os diferentes tipos de atmosferas explosivas e os diferentes tipos de proteção oferecidos pelos equipamentos utilizados nesses ambientes.

Cada uma dessas classificações possui um código específico associado.

Esses códigos são utilizados para criar a marcação ATEX, que é uma sequência de códigos que especifica o desempenho e a aplicação de equipamentos em atmosferas explosivas.

Veja um exemplo da marcação ATEX na imagem abaixo:

Classificação de área ATEX

A diretriz  ATEX 153 (1999/92/EC) divide as áreas explosivas em diferentes tipos de ambientes e zonas, de acordo com o tipo de material explosivo e a frequência de exposição a esses materiais.

Existem dois tipos de ambientes: gases e vapores, representados pela letra G e poeiras e fibras, representados pela letra D.

Os ambientes de gases e  vapores são classificados em três zonas: 0, 1 e 2. Os ambientes de poeira/fibras também são divididos em três zonas: 20, 21 e 22.

As zonas indicam a frequência e a duração da presença de uma atmosfera explosiva, sendo as zonas 0 e 20 as mais perigosas, onde a presença de materiais potencialmente explosivos é maior e mais constante, e as zonas 2 e 22 as menos perigosas, com menor frequência de materiais explosivos ou menor tempo de exposição.

Grupo, categoria e nível proteção do equipamento

A diretiva ATEX 114 (2014/34/EU) classifica os equipamentos utilizados em atmosferas explosivas em grupos, categorias e níveis de proteção (EPL).

Existem dois grupos de equipamentos: I e II. O grupo I inclui equipamentos destinados a aplicações de mineração, onde o grisu (mistura de metano e oxigênio) e a poeira de carvão podem estar presentes.

O grupo II é destinado a aplicações não relacionadas à mineração, abrangendo gases, vapores, névoas e poeiras de diferentes categorias.

Os equipamentos do grupo I são divididos em duas categorias: M1 e M2. A categoria M1 inclui equipamentos que possuem o mais alto nível de proteção para operação em minas, podendo permanecer energizados dentro dessas atmosferas.

Já os equipamentos da categoria M2 devem ser desenergizados em ambientes potencialmente explosivos.

Os equipamentos do grupo II são divididos em três categorias: 1, 2 e 3. Os equipamentos da categoria 1 possuem o mais alto nível de proteção, podendo ser utilizados em zonas 0, 1 ou 2 para atmosferas de gases, ou zonas 20, 21 e 22 para atmosferas de poeiras e fibras.

Os equipamentos da categoria 2 possuem nível de proteção intermediário, sendo adequados apenas para zonas 1, 2, 21 ou 22. Finalmente, os equipamentos da categoria 3 possuem o menor nível de proteção, podendo ser utilizados apenas em zonas 2 ou 22.

Dependendo do grupo e da categoria na qual o equipamento se enquadra, ele recebe um nível de classificação de proteção (EPL), que resume seu desempenho para uso em atmosferas explosivas. Seguem abaixo os níveis de classificação:

Ma

  • Proteção muito alta em minas: o equipamento com EPL Ma destina-se ao uso em minas, podendo permanecer energizado nesses ambientes.

Mb

  • Proteção alta em minas: o equipamento com EPL Mb destina-se ao uso em minas, porém deve ser desenergizado em ambientes potencialmente explosivos.

Ga

  • Proteção muito alta em ambientes de gases e vapores: o equipamento com EPL Ga destina-se ao uso na Zona 0, onde atmosferas de gases explosivos estão presentes continuamente, por longos períodos ou frequentemente.
  • O equipamento é projetado para permanecer seguro mesmo em caso de avarias raras.

Gb

  • Proteção alta em ambientes de gases e vapore: o equipamento com EPL Gb destina-se ao uso na Zona 1, onde é provável a ocorrência ocasional de atmosferas de gás explosivo durante a operação normal.
  • O equipamento permanece seguro durante a operação normal e sob certas condições de falha.

Gc

  • Proteção melhorada em ambientes de gases e vapores: o equipamento com EPL Gc destina-se ao uso na Zona 2, onde não é provável a ocorrência de atmosferas de gás explosivo em operação normal, mas, se ocorrerem, persistem apenas por um curto período.
  • O equipamento permanece seguro em operação normal.

Da

  • Proteção muito alta em ambientes de poeira): o equipamento com EPL Da destina-se ao uso na Zona 20, onde atmosferas de poeira explosiva estão presentes continuamente, por longos períodos ou frequentemente.
  • O equipamento é projetado para permanecer seguro mesmo em caso de avarias raras.

Db

  • Alta proteção em ambientes de poeira: o equipamento com EPL Db destina-se ao uso na Zona 21, onde é provável a ocorrência ocasional de atmosferas explosivas de poeira durante a operação normal.
  • O equipamento permanece seguro durante a operação normal e sob certas condições de falha.

Dc

  • Proteção melhorada em ambientes de poeira): o equipamento com EPL Dc destina-se ao uso na Zona 22, onde não é provável a ocorrência de atmosferas explosivas de poeira em operação normal, mas, se ocorrerem, persistem apenas por um curto período.
  • O equipamento permanece seguro em operação normal.

Classificação de grupos de substância explosiva

As diretivas ATEX também classificam as atmosferas explosivas em diferentes grupos dependendo das substâncias explosivas presentes no ambiente.

  • Grupo I: Locais contendo grisu (mistura do metano e oxigênio altamente explosiva, presente em minas) ou poeira de carvão.
  • Grupo IIA: Locais contendo propano ou gases/vapores de risco equivalente.
  • Grupo IIB: Locais contendo etileno ou gases/vapores de risco equivalente.
  • Grupo IIC: Locais contendo hidrogênio, acetileno ou gases/vapores de risco equivalente.
  • Grupo IIIA: Locais contendo fibras combustíveis,
  • Grupo IIIB: Locais contendo poeiras combustíveis não condutivas ou poeiras a base de carbono.
  • Grupo IIIC: Locais contendo poeiras condutivas.

Em relação aos grupos II e III, é importante notar que os locais IIC e IIIC são considerados os mais suscetíveis a explosões, seguidos pelos grupos IIB e IIIB, e finalmente pelos grupos IIA e IIIA, que possuem a menor suscetibilidade a explosões.

Dessa forma, equipamentos certificados para áreas do grupo IIC e IIIC podem ser utilizados nas áreas IIB, IIA e IIIB, IIIA, respectivamente.

A mesma lógica se aplica aos grupos IIB e IIIB em relação aos grupos IIA e IIIA.

Classificação de tipos de proteção

As diretivas ATEX especificam diferentes tipos de proteção para equipamentos utilizados em atmosferas potencialmente explosivas.

Essas proteções são projetadas para evitar a ignição de misturas explosivas de gases, vapores, névoas e poeiras.

Os principais tipos de proteção especificados pelas diretivas ATEX incluem:

  • Proteção por invólucro à prova de explosão (Ex d): esta proteção envolve encapsular componentes que podem causar ignição em um invólucro robusto, capaz de conter qualquer explosão interna e impedir que ela se propague para a atmosfera externa.
  • Proteção por segurança intrínseca (Ex i): este método limita a energia elétrica disponível a níveis que não podem causar faíscas ou ignição de gases e poeiras explosivas. Existem subtipos como Ex ia e Ex ib, que indicam diferentes níveis de segurança.
  • Proteção por segurança aumentada (Ex e): este tipo de proteção aumenta a segurança dos componentes elétricos para evitar a possibilidade de faíscas ou temperaturas excessivas que possam causar uma explosão.
  • Proteção por pressurização (Ex p): este método envolve a pressurização do invólucro com um gás inerte, como nitrogênio, para impedir que gases explosivos entrem em contato com componentes elétricos.
  • Proteção por encapsulamento (Ex m): componentes que podem causar ignição são encapsulados em resina para isolá-los da atmosfera explosiva.

Classificação de classes de temperatura ATEX

As diretivas ATEX especificam diferentes classes de temperatura (T-class) para indicar a temperatura máxima da superfície que o equipamento pode atingir durante sua operação em uma temperatura ambiente de -20°C a +40°C e pressão atmosférica padrão.

As classes de temperatura devem ser adequadas à temperatura de autoignição do material potencialmente explosivo.

A temperatura de autoignição é a temperatura (sob pressão atmosférica normal) na qual a substância entra em combustão sem nenhuma fonte de energia adicional.

Sendo assim, é necessário escolher equipamentos com a classe de temperatura adequada para garantir que o equipamento não incendeie a atmosfera explosiva.

As diferentes classes de temperatura são:

T1

  • Temperatura máxima da superfície: 450°C (842°F). O equipamento pode ser utilizado em ambientes onde estejam presentes gases como acetona, hidrogênio, etano, monóxido de carbono, amônia e metano.

T2

  • Temperatura máxima da superfície: 300°C (572°F). Equipamento adequado para áreas com gases como etileno, n-butano, n-butil e acetileno. Também apropriado para todas as substâncias da classe T1.

T3

  • Temperatura máxima da superfície: 200°C (392°F). Equipamento adequado para ambientes que contenham substâncias como combustível de aviação, óleo diesel, benzeno e sulfeto de hidrogênio. Também apropriado para todas as substâncias das classes T1 e T2.

T4

  • Temperatura máxima da superfície: 135°C (275°F). O equipamento pode ser utilizado com substâncias como éter etílico e acetaldeído. Também apropriado para todas as substâncias das classes T1, T2 e T3.

T5

  • Temperatura máxima da superfície: 100°C (212°F). Equipamento adequado para ambientes com gases como acetato de amila. Também apropriado para todas as substâncias das classes T1, T2, T3 e T4.

T6

  • Temperatura máxima da superfície: 85°C (185°F). O equipamento pode ser utilizado em ambientes com gases como dissulfeto de carbono. Também apropriado para todas as substâncias das classes T1 a T5.

É importante notar que, para equipamentos do Grupo I (equipamentos e sistemas de proteção destinados ao uso em minas com risco de explosão de gás metano ou risco de explosão de pó de carvão), a temperatura máxima da superfície não deve exceder:

150°C em qualquer superfície sobre a qual possa ser depositada uma camada de pó de carvão;

450°C onde a deposição de uma camada de poeira é excluída (por exemplo, por vedação ou ventilação), desde que a temperatura máxima real da superfície seja indicada na marcação do equipamento.

Para atmosferas potencialmente explosivas causadas pela presença de vapores e/ou gases, a classe de temperatura (por exemplo, T6) é indicada na marcação do equipamento.

Para atmosferas potencialmente explosivas causadas pela presença de poeira e fibras, a temperatura máxima da superfície (por exemplo, T85°C) é mostrada na marcação do equipamento.

Entendendo o sistema IECEX

O sistema IECEx é um esquema de certificação global que garante que equipamentos, serviços e pessoal estejam em conformidade com os padrões internacionais de segurança em atmosferas explosivas.

Esse sistema ajuda a fornecer uma abordagem clara e consistente à segurança de equipamentos e instalações utilizados em ambientes potencialmente explosivos, buscando facilitar o comércio global de equipamentos e serviços para uso em tais ambientes.

Vamos explorar mais sobre seus objetivos e o processo de certificação.

Objetivos e escopo global

O distema IECEx foi criado no início dos anos 2000 pela Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC), uma organização internacional de padrões que prepara e publica normas para todas as tecnologias elétricas, eletrônicas e áreas relacionadas.

O sistema IECEx é baseado principalmente na série de normas IEC 60079, que especificam requisitos gerais, técnicas de proteção, classificação de áreas e procedimentos de instalação, além de técnicas de manutenção e reparo de equipamentos utilizados em áreas explosivas.

As diretivas ATEX são anteriores ao sistema IECEx e influenciaram diretamente seu desenvolvimento.

Sendo assim, ambos compartilham várias características em suas classificações, terminologias e especificações.

No entanto, enquanto as diretivas ATEX foram criadas para padronizar normas e certificações dentro da União Europeia, o IECEx surgiu pela necessidade de um padrão internacional que pudesse harmonizar os diversos esquemas de certificação nacionais e regionais, incluindo o ATEX.

A existência de um sistema de certificação internacional como o IECEx é fundamental para o comércio globalizado, pois permite que os fabricantes de equipamentos para atmosferas explosivas tenham seus produtos certificados uma única vez e aceitos em vários mercados internacionais.

Certificação e normas

O processo de certificação IECEx começa com a avaliação do produto, seguida pela verificação da conformidade com as normas internacionais relevantes.

Uma vez certificado, o equipamento recebe um Certificado de Conformidade IECEx, que é reconhecido pelos países participantes do sistema.

Algumas das normas que compõem o sistema IECEx são:

  • IEC 60079-0: Atmosferas explosivas – Parte 0: Equipamento – Requisitos gerais. Esta norma especifica requisitos gerais para construção, teste e marcação de equipamentos elétricos e componentes Ex destinados ao uso em atmosferas explosivas.
  • IEC 60079-1: Atmosferas explosivas – Parte 1: Proteção de equipamentos por invólucros à prova de chamas “d”. Define requisitos para equipamentos com invólucros à prova de chamas que podem conter uma explosão interna sem inflamar a atmosfera explosiva circundante.
  • IEC 60079-11: Atmosferas explosivas – Parte 11: Proteção de equipamentos por segurança intrínseca “i”. Concentra-se em equipamentos e sistemas projetados para serem incapazes de causar ignição por meios elétricos.
  • IEC 60079-18: Atmosferas explosivas – Parte 18: Proteção de equipamentos por encapsulamento “m”. Abrange o uso de encapsulamento para evitar que fontes de ignição entrem em contato com a atmosfera explosiva.
  • IEC 60079-25: Atmosferas explosivas – Parte 25: Sistemas intrínsecamente seguros. Especifica requisitos para sistemas elétricos intrinsecamente seguros.
  • IEC 60079-26: Atmosferas explosivas – Parte 26: Equipamento com nível de proteção de equipamento (EPL) Ga. Fornece requisitos específicos para equipamentos com o mais alto nível de proteção.
  • IEC 60079-10-1: Atmosferas explosivas – Parte 10-1: Classificação de áreas – Atmosferas de gases explosivos. Orienta a classificação de áreas onde podem estar presentes gases explosivos.
  • IEC 60079-10-2: Atmosferas explosivas – Parte 10-2: Classificação de áreas – Atmosferas explosivas de poeira. Fornece orientação sobre a classificação de áreas perigosas com atmosferas de poeira explosiva.
  • IEC 60079-14: Atmosferas explosivas – Parte 14: Projeto, seleção e montagem de instalações elétricas. Abrange o projeto, seleção e instalação de equipamentos elétricos em atmosferas explosivas.
  • IEC 60079-17: Atmosferas explosivas – Parte 17: Inspeção e manutenção de instalações elétricas. Detalha os procedimentos de inspeção e manutenção de instalações elétricas em atmosferas explosivas.
  • IEC 60079-19: Atmosferas explosivas – Parte 19: Reparo, revisão e recuperação de equipamentos. Especifica requisitos para reparo, revisão e recuperação de equipamentos usados em atmosferas explosivas.

Classificações e marcação do sistema IECEx

Assim como as diretivas ATEX, o sistema IECEx define um conjunto de classificações para os diferentes tipos de áreas explosivas e os diferentes tipos de proteção oferecidos pelos equipamentos utilizados nesses ambientes.

A combinação das classificações de um equipamento gera a marcação IECEx, que define a adequação do equipamento para áreas explosivas.

 Veja um exemplo da marcação IECEx na imagem abaixo:

As classificações do sistema IECEx são extremamente similares às especificações das diretivas ATEX, incluindo os seguintes conceitos:

  • Zonas: zonas 0, 1, 2, 20, 21 e 22, com o mesmo significado que nas diretivas ATEX.
  • Grupo de substâncias: separados em I (minas), IIA (gás propano e equivalentes), IIB (gás etileno e equivalentes), IIC (gás acetileno, hidrogênio e equivalentes), IIIA (suspensões inflamáveis), IIIB (poeira não-condutiva) e IIIC (poeira condutiva).
  • Tipos de proteção: como invólucro à prova de explosão (db), segurança intrínseca (ia, ib e ic), entre outros.
  • Classes de temperatura: de T1 a T6.
  • Nível de proteção do equipamento: Ga, Da, Gb, Db, etc.

Diferenças principais entre ATEX e IECEx

Apesar de possuírem objetivos similares, existem diferenças importantes entre as diretivas ATEX e o sistema IECEx:

Escopo geográfico

ATEX

  • Específico para a União Europeia. A conformidade com as diretivas ATEX é obrigatória para equipamentos utilizados em atmosferas explosivas na UE.

IECEx

  • Escopo internacional. Reconhecido e aceito globalmente, fornecendo um esquema de certificação voluntária que facilita o comércio internacional.

Diretivas e normas

ATEX

  • Regido por duas diretivas principais, a ATEX 114 (2014/34/UE) e a ATEX 153 (1999/92/CE).
  • Baseia-se em normas europeias harmonizadas (normas EN) que se alinham com os requisitos essenciais de saúde e segurança definidos nas diretivas.

IECEx

  • Opera sob a Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) e fornece um sistema de certificação baseado em padrões IEC sem estar vinculado a uma estrutura legal específica como as diretivas da UE.
  • Baseado nas normas IEC, especialmente na série IEC 60079, que são reconhecidas e utilizadas internacionalmente.

Certificação e marcação

ATEX:

  • Conformidade obrigatória: o equipamento deve ser certificado para cumprir as diretivas ATEX antes de poder ser vendido e usado na UE.
  • Marcação: os equipamentos certificados são marcados com a marca “CE” e o símbolo ATEX, juntamente com outras informações relevantes.
  • Organismos notificados: a certificação envolve avaliação por Organismos Notificados, que são organizações designadas pelos estados membros da UE para avaliar a conformidade com as diretivas.

IECEx:

  • Certificação voluntária: embora a certificação IECEx seja voluntária, ela é amplamente aceita e reconhecida globalmente, facilitando o comércio internacional.
  • Marcação: o equipamento certificado é marcado com o logotipo IECEx e um código de certificação.
  • ExCBs e ExTLs: a certificação é realizada por Organismos de Certificação IECEx (ExCBs) e Laboratórios de Testes (ExTLs) que avaliam e testam os equipamentos para garantir a conformidade com os padrões IEC.
  • Sistema de certificados online: o IECEx mantém um banco de dados online de certificados para fácil acesso e verificação.

Harmonização e interoperabilidade

ATEX

  • Projetado principalmente para atender aos requisitos regulatórios da União Europeia, o que pode levar à necessidade de certificações adicionais ao exportar para fora da UE.

IECEx

  • Projetado para se harmonizar com vários esquemas de certificação nacionais e regionais, incluindo ATEX, para facilitar a interoperabilidade e o reconhecimento mútuo de certificações.

Importância das diretivas ATEX e do sistema IECEx na segurança de áreas classificadas

As diretivas ATEX e o sistema IECEx desempenham um papel fundamental na proteção de ambientes industriais propensos a atmosferas explosivas.

Estas diretrizes são projetadas não apenas para prevenir acidentes fatais, mas também para garantir a segurança contínua dos trabalhadores nessas áreas suscetíveis à explosão.

Prevenção de explosões

A principal contribuição da ATEX e do IECEx é a prevenção de explosões em ambientes industriais onde substâncias inflamáveis, como gases, vapores ou poeiras, estão presentes.

Elas estabelecem rigorosos requisitos de desenvolvimento, fabricação, operação e manutenção de equipamentos, garantindo que todos os dispositivos utilizados nessas áreas sejam capazes de prevenir eficazmente a ignição de atmosferas explosivas.

Isso inclui a implementação de medidas de segurança como a limitação de fontes de ignição e a garantia de que os equipamentos possam operar de forma segura, mesmo em condições extremas.

Proteção de trabalhadores

Além da prevenção de explosões, as diretivas ATEX e o sistema IECEx têm um impacto significativo na proteção dos trabalhadores.

Ao exigir que os empregadores avaliem e mitiguem os riscos em áreas classificadas, essas normas asseguram que medidas de segurança adequadas estejam em vigor.

Isso inclui a formação adequada dos trabalhadores sobre os perigos em suas áreas de trabalho e sobre como operar de forma segura, além da utilização de equipamentos de proteção individual apropriados.

A implementação dessas diretrizes ajuda a criar um ambiente de trabalho mais seguro, minimizando o risco de acidentes e promovendo uma cultura de segurança.

Como implementar as diretivas ATEX e IECEx em ambientes explosivos

Implementar os requisitos das diretivas ATEX e do sistema IECEx é um processo essencial para garantir a segurança e conformidade de operações em indústrias onde há risco de explosões.

Este processo envolve várias etapas críticas, desde a avaliação inicial dos riscos até a manutenção contínua dos padrões de segurança.

Avaliação de riscos

O primeiro passo para a implementação dessas diretrizes é realizar uma avaliação detalhada dos riscos associados às operações específicas e ao ambiente de trabalho.

Esta avaliação deve identificar todas as áreas onde atmosferas explosivas podem se formar, bem como os tipos de substâncias inflamáveis presentes.

Classificação de áreas

Com base na avaliação de riscos, as áreas de trabalho devem ser classificadas em zonas, conforme definido pelas diretivas ATEX e as normas do sistema IECEx.

Essa classificação ajuda a determinar os requisitos específicos de segurança e os tipos de equipamentos que podem ser usados em cada zona.

Seleção de equipamentos adequados

Todos os equipamentos utilizados em áreas classificadas devem ser projetados e certificados para uso nessas condições.

É crucial selecionar equipamentos que atendam ou superem os padrões estabelecidos para a zona específica.

Treinamento de funcionários

O pessoal que trabalha em áreas classificadas deve receber treinamento adequado sobre os riscos associados e as práticas seguras de trabalho.

O treinamento deve cobrir o uso correto de equipamentos, procedimentos de emergência e medidas preventivas para evitar a ignição de atmosferas explosivas.

Manutenção e inspeção regulares

Para garantir a conformidade contínua e a segurança operacional, é essencial estabelecer um programa de manutenção e inspeção regular.

Isso inclui a verificação do estado dos equipamentos, a realização de calibrações e ajustes necessários e a reavaliação periódica dos riscos.

Documentação e registro

Manter uma documentação completa de todas as avaliações de risco, classificações de área, seleção de equipamentos, treinamentos de funcionários e atividades de manutenção é fundamental.

Esses registros não apenas facilitam as auditorias e a verificação da conformidade, mas também são essenciais para investigações em caso de incidentes.

Implementar as diretrizes ATEX e as normas do sistema IECEx de forma eficaz é um compromisso contínuo com a segurança em ambientes de risco.

Seguindo estas etapas, as indústrias podem minimizar o risco de explosões, proteger os trabalhadores e atender às exigências regulamentares, mantendo suas operações seguras e conformes.

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