A histerese é um fenômeno físico presente em diversos instrumentos de medição, incluindo os utilizados para monitorar e calibrar pressão.
Compreender o conceito de histerese é essencial para garantir medições confiáveis e realizar ajustes adequados em equipamentos como transmissores, manômetros e controladores de pressão.
Neste artigo, exploraremos de forma detalhada o que é histerese, por que ela ocorre em instrumentos de medição de pressão, quais são seus impactos na calibração e quais boas práticas podem ser adotadas para reduzir seus efeitos. Também abordaremos exemplos práticos, métodos de teste e tópicos avançados, como a relação entre histerese, repetibilidade e linearidade.
O que é histerese?
A histerese é definida como a diferença de comportamento de um sistema quando uma variável é aplicada em sentidos opostos, por exemplo, durante a elevação e a redução de pressão em um instrumento.
Na prática, significa que um medidor pode indicar valores ligeiramente diferentes para uma mesma pressão, dependendo se o ponto foi alcançado aumentando ou diminuindo a pressão.
Esse fenômeno ocorre devido a propriedades físicas e mecânicas dos materiais, como atrito interno, deformações elásticas e não lineares, ou até mesmo desgaste de componentes internos.
No contexto da calibração de instrumentos de pressão, a histerese pode impactar diretamente a precisão da medição.
Exemplo prático
Ao calibrar um instrumento para 100kPa, ao subir a pressão até 50kPa, ele pode indicar 49,95kPa; ao descer para o mesmo ponto, pode indicar 50,05kPa. Essa diferença de leituras, apesar do mesmo ponto de pressão, evidencia a histerese.
Representação gráfica da histerese
Graficamente, a curva de subida e descida não coincidirem demonstra a presença da histerese, pois existe um “laço” entre as curvas.

Por que a histerese ocorre em instrumentos de medição de pressão?
A histerese em instrumentos de medição de pressão não acontece por acaso, mas sim como consequência de fenômenos físicos e mecânicos inerentes aos materiais e componentes internos dos dispositivos.
Causas físicas e mecânicas que levam à histerese
Elasticidade e deformação dos materiais
Princípio: Muitos instrumentos de pressão operam com base na deformação elástica de um elemento sensor. Exemplos incluem diafragmas, tubos Bourdon e células de carga. Quando a pressão é aplicada, esses elementos se deformam; quando a pressão é removida, eles deveriam retornar à sua forma original.
Realidade da Histerese: Na prática, nenhum material é perfeitamente elástico. Existe um fenômeno conhecido como relaxamento de tensão ou fluência (creep), onde o material, após ser deformado, leva um tempo para retornar completamente à sua condição original, ou mesmo não retorna totalmente. Quando a pressão é aplicada e depois removida, as moléculas do material não voltam instantaneamente à sua posição de equilíbrio inicial. Esse “atraso molecular” ou acomodação material cria uma diferença na resposta do sensor dependendo se a pressão está subindo ou descendo.
Exemplos Práticos:
- Tubos Bourdon: Utilizados em manômetros, esses tubos tendem a “lembrar” um pouco da última pressão à qual foram submetidos, especialmente se a pressão foi mantida por um longo período.
- Diafragmas: Em transmissores de pressão, o diafragma pode apresentar pequenas deformações residuais que afetam a linearidade e, consequentemente, contribuem para a histerese.
Atrito interno e mecanismos de transmissão
O fenômeno ocorre em instrumentos que possuem partes móveis, como manômetros analógicos de ponteiro ou transmissores com mecanismos internos de alavanca, o atrito entre as peças é um contribuinte significativo para a histerese.
Sendo assim, o atrito impede que o mecanismo responda instantaneamente a pequenas mudanças de pressão. Ao aumentar a pressão, o mecanismo precisa superar a força de atrito para se mover. Ao diminuir a pressão, ele também precisa vencer o atrito para retornar. Essa resistência em ambas as direções cria uma “folga” ou atraso na resposta.
Os fatores críticos mais comuns são desgaste das peças, lubrificação inadequada, presença de contaminantes (poeira, partículas) e desalinhamento mecânico podem exacerbar o atrito e, por consequência, a histerese.
Efeitos térmicos
A temperatura afeta as propriedades físicas dos materiais. Variações de temperatura podem causar expansão ou contração dos componentes do instrumento, alterando suas características elásticas e dimensionais.
Se os diferentes materiais que compõem o instrumento possuem coeficientes de expansão térmica distintos, as variações de temperatura podem introduzir tensões internas adicionais que se somam às tensões geradas pela pressão, resultando em histerese. Embora a histerese seja uma característica intrínseca do material sob carga mecânica, as variações térmicas podem amplificá-la ou modificá-la.
Fadiga do material
Com o tempo e o uso contínuo, os materiais dos elementos sensores podem sofrer fadiga. A fadiga altera as propriedades elásticas do material, tornando-o menos capaz de retornar à sua forma original de maneira consistente. Isso se manifesta como um aumento gradual da histerese ao longo da vida útil do instrumento.
Acomodação molecular
Este fenômeno é mais sutil e está ligado à reorientação das estruturas moleculares do material sob estresse. Quando a pressão é mantida por um período, as moléculas se “acomodam” em novas posições de menor energia. Ao liberar a pressão, essa reorientação não é instantaneamente desfeita, resultando na histerese observada.
A compreensão desses mecanismos é vital. Saber que a histerese não é um “defeito” isolado, mas sim uma consequência natural das propriedades dos materiais e do design do instrumento, permite que os profissionais de metrologia desenvolvam estratégias mais eficazes para mitigá-la e realizar calibrações mais precisas.
Impacto da histerese na calibração e ajuste de instrumentos
A histerese é uma das fontes de incerteza metrológica durante a calibração. Quando ignorada, pode levar a ajustes incorretos ou leituras equivocadas, especialmente em processos críticos onde a variação de pressão é frequente.
Durante a calibração, é fundamental medir a resposta do instrumento tanto em ciclos de pressão crescente quanto em ciclos decrescentes para avaliar o comportamento completo do dispositivo.
Se a histerese não for considerada, o instrumento pode apresentar erros significativos em condições reais de operação, resultando em desvios de processo, falhas de controle e até riscos de segurança.
Portanto, a avaliação da histerese deve ser parte integrante do procedimento de calibração.
Como avaliar a histerese durante a calibração
Para medir a histerese, realiza-se um ciclo completo de pressão: aplica-se a pressão em valores crescentes até o ponto máximo de escala do instrumento, registrando-se as leituras, e em seguida reduzem-se os valores de pressão, anotando-se novamente as indicações. A diferença entre as leituras para um mesmo ponto, nos ciclos de subida e descida, é a histerese do instrumento.
É recomendável utilizar equipamentos de calibração de alta precisão, como controladores automáticos de pressão ou bombas de calibração com manômetros de referência rastreáveis, como o DPI100 da Sensycal, para obter resultados confiáveis.
A repetição do teste em diferentes pontos da escala ajuda a identificar padrões de histerese ao longo do range do instrumento.
Evite overshooting
Suba aos pontos de calibração sem ultrapassá-los. Ultrapassar e retornar mascara a histerese real do instrumento.
Análise gráfica
Gráficos de entrada e saída destacam visualmente o laço de histerese, sendo ideal o uso de softwares de calibração.
Relação entre histerese, repetibilidade e linearidade
A histerese é frequentemente analisada junto com outros parâmetros de desempenho, como repetibilidade e linearidade. A repetibilidade indica a capacidade do instrumento de reproduzir a mesma leitura sob as mesmas condições, enquanto a linearidade avalia o quão próxima a resposta está de uma linha reta ideal ao longo da escala.
Um instrumento pode ser linear e repetível, mas ainda assim apresentar histerese. Portanto, é necessário avaliar esses parâmetros de forma combinada para determinar a qualidade metrológica do equipamento. Fabricantes costumam especificar a histerese como uma porcentagem do fundo de escala, por exemplo, 0,1% FS.

Como reduzir os efeitos da histerese
Embora seja impossível eliminar totalmente a histerese em instrumentos mecânicos, algumas ações podem minimizar seus efeitos.
- Calibração regular: estipule planos de calibração periódica com ciclos de subida e descida para monitoramento.
- Escolha dos instrumentos: prefira instrumentos projetados com foco em baixa histerese para aplicações críticas.
- Procedimentos padronizados: padronização garante que os desvios sejam monitoráveis e comparáveis entre sessões de calibração.
- Limpeza: assegure que os instrumentos estejam livres de resíduos internos.
- Controlar ambiente: execute calibração em condições ambientais estáveis sempre que possível para mitigar variações.
Boas práticas de calibração considerando a histerese
Para garantir resultados confiáveis, algumas práticas devem ser seguidas durante a calibração:
- Realizar ciclos completos de subida e descida de pressão.
- Utilizar pontos de medição distribuídos uniformemente ao longo da escala.
- Repetir medições para avaliar consistência.
- Registrar separadamente os dados de subida e descida para análise.
- Comparar os resultados com as especificações do fabricante.
A importância da análise de histerese
A histerese tem grande relevância em indústrias onde a precisão da medição de pressão é crítica, como em plantas químicas, petroquímicas, farmacêuticas e de geração de energia.
Em processos contínuos, onde a variação de pressão é constante, um instrumento com alta histerese pode levar a erros de controle e até comprometer a qualidade do produto final.
Ferramentas e equipamentos para análise de histerese
Controladores automáticos de pressão, bombas de calibração e manômetros digitais de alta precisão (DPI100, por exemplo) são os principais equipamentos utilizados para avaliar a histerese.
Softwares de calibração e bancos de teste automatizados permitem registrar dados de subida e descida, gerar gráficos de comportamento e calcular a histerese de forma precisa.
Conclusão
A compreensão da histerese e de seus efeitos na calibração de pressão é indispensável para garantir a confiabilidade de instrumentos utilizados em processos industriais. Avaliar e compensar a histerese durante as calibrações permite reduzir incertezas e assegurar que os equipamentos estejam em conformidade com padrões de qualidade e segurança.
A Sensycal, com sua expertise em metrologia e automação industrial, oferece soluções completas para calibração de instrumentos de pressão, incluindo ferramentas avançadas para análise de histerese e suporte técnico especializado para profissionais e empresas.
Como a Sensycal te ajuda na avaliação da histerese
A Sensycal oferece uma gama completa de serviços de calibração que atendem aos mais altos padrões metrológicos. Nossa expertise em metrologia e instrumentação industrial nos permite:
Avaliar a histerese
Nossos procedimentos de calibração incluem a avaliação completa da histerese, fornecendo um diagnóstico preciso da performance do seu instrumento.
Rastreabilidade total
Todas as calibrações são rastreáveis a padrões nacionais e internacionais, garantindo a validade de suas medições.
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