Medição de temperatura com termopares: tudo o que você precisa saber!

Medição de temperatura com termopares: tudo o que você precisa saber!

Descubra como funcionam os termopares, quais os tipos mais utilizados e como aplicá-los corretamente na medição de temperatura industrial.
termopares

A medição de temperatura é uma exigência constante em processos industriais, laboratoriais e sistemas de automação. Entre os diversos tipos de sensores disponíveis para essa finalidade, os termopares se destacam por sua robustez, simplicidade e ampla faixa de operação.

Os termopares podem ser aplicados em ambientes severos, com altas temperaturas e variações bruscas, o que os torna indispensáveis para muitas aplicações industriais.

Este artigo tem como objetivo apresentar, de forma técnica e acessível, todos os aspectos essenciais relacionados ao uso de termopares na medição de temperatura. Você vai entender como funcionam, quais são os principais tipos utilizados, as normas que os padronizam e como se comparam às termorresistências, como o Pt100.

O que são termopares?

Termopares são sensores de temperatura que funcionam a partir de um fenômeno de termoeletricidade conhecido como efeito Seebeck.

Os termopares são compostos por dois fios metálicos de materiais diferentes, unidos em uma extremidade chamada junção de medição ou junta quente. A outra extremidade, conectada ao sistema de medição, é chamada de junção de referência ou junta fria.

Quando essas duas junções são expostas a temperaturas diferentes, forma-se uma força eletromotriz (tensão elétrica) proporcional à diferença de temperatura entre as junções. Ao medirmos essa tensão elétrica, podemos calcular a diferença de temperatura entre as extremidades, e assim medir a temperatura da junção de medição.

Princípio de funcionamento dos termopares – efeito Seebeck

Como mencionamos na seção anterior, o funcionamento dos termopares está diretamente ligado ao fenômeno conhecido como efeito Seebeck.

Esse efeito ocorre quando dois metais diferentes são unidos em duas extremidades, formando um circuito fechado. Uma das junções, chamada de Tm (junção de medição), é exposta a uma temperatura distinta da outra extremidade, conhecida como Tr (junção de referência ou junta fria).

A diferença de temperatura entre a junta quente (Tm) e a junta fria (Tr) provoca uma movimentação de elétrons entre os metais A (+) e B (–), gerando uma corrente elétrica I. Essa corrente é proporcional à diferença de temperatura entre as duas junções e pode ser convertida em uma leitura de temperatura utilizando instrumentos de medição adequados.

Termopares Efeito Seebeck

A ilustração acima representa graficamente esse princípio: a corrente I circula no sentido do metal A para B, e a tensão gerada pode ser lida e correlacionada com a temperatura de interesse. Esse é o fundamento de funcionamento básico dos termopares utilizados na instrumentação industrial.

Esse efeito foi descoberto por Thomas Seebeck em 1821, e hoje é amplamente utilizado na indústria para medições de temperatura.

A tensão gerada pela diferença de temperatura é muito pequena (tipicamente na ordem de poucos milivolts) e precisa ser interpretada por instrumentos precisos de medição, como transmissores, indicadores digitais, controladores ou sistemas de aquisição de dados.

Para garantir a exatidão, é necessário compensar a temperatura da junção de referência (junta fria), que serve como base para a leitura da diferença térmica entre as extremidades do circuito. Normalmente, isso é feito de forma automática por instrumentos modernos.

Tipos mais comuns de termopares

Existem diversos tipos de termopares padronizados por normas internacionais, como a IEC 60584-1, cada um com características específicas de faixa de medição, sensibilidade, estabilidade. A diferença principal entre os tipos de termopares se deve aos diferentes tipos de metais utilizados na sua construção. A seguir, listamos os principais tipos:

Tipo K (Níquel-Cromo/Níquel-Alumínio)

O tipo K é um dos termopares mais amplamente utilizados na indústria. Possui ampla faixa de medição (aproximadamente -200 °C a 1350 °C), boa estabilidade e custo acessível. É indicado para aplicações gerais.

Termopares Tipo K
Termopar Tipo K

Tipo J (Ferro/Constantan)

Com faixa de -40 °C a 750 °C, o tipo J é ideal para ambientes redutores. Sua limitação está na oxidação rápida do ferro em altas temperaturas.

Termopares Tipo J
Termopar Tipo J

Tipo T (Cobre/Constantan)

Apresenta excelente precisão em baixas temperaturas, com faixa de -200 °C a 370 °C. Muito usado em laboratórios e na indústria alimentícia.

Termopares Tipo T
Termopar Tipo T

Tipo E (Níquel-Cromo/Constantan)

Possui maior sensibilidade entre os termopares comuns. Faixa de -200 °C a 900 °C. É utilizado em aplicações que exigem alta resolução em baixas temperaturas.

Termopares Tipo E
Termopar Tipo E

Tipo N (Níquel-Cromo-Silício/Níquel-Silício)

Desenvolvido para substituir o tipo K em aplicações críticas, com melhor estabilidade térmica e resistência à oxidação. Faixa de -200 °C a 1300 °C.

Termopares Tipo N
Termopar Tipo N

Tipos R, S (Platina-Ródio/Platina)

Indicados para altas temperaturas (até 1700 °C), possuem altíssima estabilidade e precisão, mas custo elevado. São comuns em aplicações de laboratório e indústrias de vidro, cerâmica e siderurgia.

Tipos B (Platina-Ródio/Platina-Ródio)

Indicados para altas temperaturas (até 1700 °C) com alta precisão, porém com faixa de saída de tensão muito baixa, requerendo instrumentos de medição adequados. São comuns em aplicações laboratoriais.

Normas e padronizações dos termopares

A padronização dos termopares é regida principalmente pela norma IEC 60584-1, que define os tipos, materiais, faixas de medição e curvas de calibração. No Brasil, a norma correspondente é a ABNT NBR IEC 60584-1, alinhada aos padrões internacionais.

Essa padronização garante que termopares de diferentes fabricantes sigam as mesmas características de saída elétrica, permitindo sua intercambialidade e uso confiável em sistemas automatizados. Além da IEC, outras normas como ASTM E230 e ANSI MC96.1 também são adotadas em alguns países e setores industriais.

Vantagens e desvantagens dos termopares

Vantagens:

  • Ampla faixa de medição de temperatura, podendo atingir até 1800 °C dependendo do tipo.
  • Resposta rápida a variações térmicas, ideal para processos dinâmicos.
  • Construção simples e robusta, com resistência a vibrações, impactos e ambientes agressivos.
  • Versatilidade de aplicação, com diferentes formatos de sondas, isolamentos e proteções.
  • Custo relativamente baixo, especialmente em comparação com sensores de platina.

Desvantagens:

  • Baixa exatidão se comparado às termorresistências (RTDs), como o Pt100.
  • Necessidade de compensação da junção fria para leitura precisa.
  • Sensibilidade a ruídos elétricos devido ao sinal em milivolts.
  • Deriva térmica ao longo do tempo em ambientes severos.

Comparativo entre termopares e termorresistências (Pt100)

Os termopares e as termorresistências são os sensores de temperatura mais utilizados na indústria. Ambos têm vantagens e limitações, e a escolha entre eles depende do tipo de aplicação.

Enquanto os termopares são mais indicados para faixas de temperatura elevadas e ambientes agressivos, as termorresistências como o Pt100 apresentam melhor precisão, estabilidade e linearidade, sendo ideais para aplicações de controle fino e monitoramento em laboratórios ou processos críticos.

A tabela abaixo resume as principais diferenças:

Comparativo entre termopares e termorresistências (Pt100)

Leia também: O que é um sensor Pt100 e como ele pode ser utilizado na medição de temperatura?

Aplicações industriais dos termopares

Devido à sua versatilidade e resistência, os termopares são amplamente utilizados nos seguintes setores:

Indústria siderúrgica e metalúrgica: medição de temperaturas em fornos, fundição e processos térmicos severos.

Indústria química: monitoramento de reatores e colunas com atmosferas corrosivas.

Indústria de alimentos e bebidas: controle térmico em processos de pasteurização e refrigeração.

Energia e petróleo: medição de temperatura em turbinas, caldeiras e linhas de vapor.

Automação industrial: integração com CLPs, sistemas supervisórios e controladores de processo.

Por que investir em termopares para medição de temperatura industrial

Os termopares são elementos fundamentais para a medição térmica industrial. Apesar de apresentarem menor precisão do que sensores como o Pt100, oferecem ampla faixa de operação, robustez e custo-benefício favorável.

Compreender seu funcionamento, padronização e aplicações ajuda profissionais iniciantes a fazer escolhas mais adequadas em projetos de instrumentação e automação.

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